13.8.04

A um ti que eu inventei

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em minha balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.



"António Gedeão"


Quis partilhar com quem seja, este poema de António Gedeão! Não sei se diz tudo... mas diz muito!
Espero que gostem também.

4 comentários:

mad disse...

Eu adorei este poema.
Sinto que és um apaixonado.
Gostei. Obrigada pela preferência.
Beijinhos e força.

Miss Kafka disse...

"Pensar em ti" poderia ser um comboio de versos, uma tempestade de metáforas, e uma serenidade de linhas e traços que juntos ganham significado. O poema diz muito... diz que "pensar em ti" não é descritível. Gostei muito, um abraço.

Sandro disse...

mad: Apaixonados somos todos, ou pelo menos deveriamos ser... E se bem que se sofre por paixão, a verdade é que nos faz sempre bem. E não agradeças a preferência, eu é que agradeço a visita! *

Miss Kafka: uma "miss" a mandar-me um abraço? tem a sua piada! Mas concordo com tudo o que dizes, excepto talvez dizeres que tudo em conjunto ganha significado! Se há coisa que nem sempre faz sentido, é o amor!
UM ABRAÇO! :) Espero que voltes!

Anónimo disse...

Adoreiii e adoro tudo o que escreves aqui...
venho aqui à cerca de três dias e desde então não consigo deixar de cá vir.
Beijos bons

Sara