23.6.06
Não existem momentos vulgares...
Não se devem menosprezar momentos, porque nunca se repetem exactamente da mesma maneira!
13.6.06
Eugénio de Andrade
Comemora-se hoje um ano após a morte deste grande poeta. Digo comemora-se, porque há vidas que só se podem comemorar, mesmo além da morte! Um dia este senhor teve a brilhante ideia de abandonar o seu curso de filosofia para se dedicar à poesia e à escrita. Em boa hora o fez...
E aqui fica a minha singela homenagem a um dos grandes:
"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."
7.6.06
Chamo todos os anjos...
Preciso de todos aqui, perto do chão..
Sinto demais a tua falta, não me podes levar na tua nuvem?
Sempre esperei por alguém assim para amar!
Chamo-os a todos apenas para me levarem até ti...
Eles que me emprestei as suas asas, e eu voo até te encontrar.
Sempre esperei por alguém assim para amar!
Dia após dia... através dos anos... sempre esperei...
Agora encontro-te, e preciso de ir na tua nuvem...
Posso?... meu anjo...
6.6.06
Esperar… mal posso esperar…
pra olhar pra ti, e ver o mundo desaparecer nos teus olhos…
Esperar… mal posso esperar, por ouvir a tua voz doce dizer… és tu!
Esperar… mal posso esperar, e antecipo mais esta espera, até que o dia chegue, e que brilhes em mim!
Esperar… mal posso esperar… por ver os teus lábios beijarem o céu, e todo esse azul ser eu!
E antecipo esta espera… até que o dia chegue… e brilhes em mim!
…
Esperar… mal posso esperar…
9.5.06
A minha mãe senta-se na sala... vê uma novela sem interesse...
Eu deixo-me adormecer, num sotaque brasileiro.
São 11 da noite e não consegui matar o tempo...
O meu pai passeia pela casa, ouço-lhe os passos pelo chão...
Inventa desculpas pra fugir ao sono...
Eu deixo-me ficar no sofá.. fecho os olhos...
Penso em como estarás... será que dormes? será que vês a mesma novela?
Imagino-me contigo, aninhado num sofá qualquer, porque um qualquer terá todo o conforto do mundo se dividido contigo.
Imagino-me perdido nos teus braços, ou a massajar-te os ombros cansados, no meio de um cafuné perdido em tantos que não se fazem...
Lisboa é uma cidade quente já... A janela aberta a arrefecer-nos os corpos, enquanto aquele sotaque brasileiro nos leva a comentar as personagens da novela.
Um beijo...
...
Porque sim... Porque adoro o teu beijo, porque os teus lábios me fazem um bem... que não te consigo explicar!
Não mos roubes nunca, mesmo sendo teus!
Abro os olhos...
O meu pai prostrado no sofá a ver os resumos do futebol...
Levanto-me lentamente.
Caminho pro quarto...
A minha mãe já deitada, com a televisão ligada num reallity qualquer...
Deixo-me cair na cama e no escuro.
Um dia...
21.4.06
Forma vs Conteudo
De alguma forma encontrei-te... e já passou algum tempo!
Puxaste-me a ti de uma forma que me era desconhecida, e mudaste-me, e mudaste, e somos...
...
Alguém me dizia que na forma está importância igual à do conteudo...
Falo de amor... de amar...
Mostraste-me que não!
Fizeste-me ver que a única coisa importante é o conteudo, a forma difere sempre de pessoa para pessoa. É importante o amor, são diferentes as formas de amar.
Numa analogia imperfeita, é como o meu gosto pessoal pela coca-cola... A garrafa pode ser em forma de silhueta, ou grande e arredondada... O seu conteudo vai ser sempre o que me vai satisfazer mais.
Analogia parva? Sim... mas toda a gente percebeu de certeza!
No amor é igual. Duas pessoas não amam de forma igual. Por vezes até, são completamente distintas na sua forma de amar... mas se amam, nada é mais importante que isso.
Das poucas vezes que me falaste de amor, sempre vi alguém que ama, que sabe amar, que percebe a importância que o amor tem na vida de cada um.
Eu sei, porque mostras, e não fecho os olhos quando o fazes, que amas... que o amor é vital para ti... Falo do amor no seu todo, e que é “apenas” isso... AMOR!
NÃO! Uma pessoa não ama mais que outra só porque o diz com mais facilidade, ou com mais regularidade...
E NÃO, uma pessoa não ama menos só porque não diz... somos diferentes todos.
É enorme o risco de perder um amor por causa da importância que se pode dar a essa mesma diferença!
...
Fizeste-me ver...
6.4.06
QUINTA-FEIRA - 06 de Abril
Faz hoje 2 anos desde que resolveste que estavas farto!
Continuo a sentir a tua falta, e continua-me a custar saber que não desconfiei nunca de nada... e que não pude fazer nada...
A quem me perguntava, disse sempre que te foste apenas, naturalmente... Não consigo admitir a mim mesmo que te foste porque decidiste que querias ir!
Trabalhei hoje o dia todo, e não parei de pensar em ti a todo o instante.
Sou sincero, há dias que não me lembro, que não te recordo... mas depois há momentos que custam a passar.
Nunca falo de ti a ninguém... Guardo-te para mim, como a excelente pessoa, e o ainda melhor amigo, que eras.
Por vezes falo contigo baixinho, como deves saber, mas não me respondes...
Ainda bem que não soube nunca porque é que foste embora. Prefiro ficar sem saber o que te fazia tão mal, o que te magoava tanto... Recordo o teu sorriso, a tua gargalhada de homem da taberna (lembras-te?), a tua prontidão para tudo e para todos.
Pelos vistos alguém, ou algo, te faltou... Podias ter falado comigo...
Sim, continuo a achar que foste covarde, que foste egoísta... Ir embora dessa forma acaba por ser sempre o mais fácil, certo?
Hoje o dia vai acabar tarde, e ainda te vou recordar mais no meu silêncio... Sim, vou estar com ela. Era sempre ela, lembras-te? Ainda é...
2 anos... Para mim nunca partiste... vais viver eternamente nos momentos em que te lembro, em que falo contigo...
Mas faz-me falta a tua voz, os teus conselhos, as tuas reprimendas... até o teu deixar tudo para depois! :)
Tenho de ir...
...
Fazes-me falta...
28.3.06
Porto de Abrigo
22.3.06
Espera...
Sempre à tua espera…
Não encontrei nada mais que fazer, apenas ficar à tua espera.
Tenho me iludido em relação a ti…
Sempre, uma ilusão em relação a ti…
O que mais posso eu fazer… senão diluir-me numa ilusão de ti?
Escuto em todo o lado o teu nome…
Em todo e qualquer lado o teu nome…
Não tenho ouvido música melhor… apenas e só o teu nome…
Queria que estivesses aqui… para andarmos de mão dada sob a chuva…
A chuva macia…
Tirávamos uma fotografia na máquina da rua… e emoldurávamos um momento para sempre!
Só queria que estivesses aqui comigo…
Não tenho mais nada que fazer hoje, por isso… vou apenas ficar à tua espera!
13.3.06
Já cheira...
Acordei e fiquei bem disposto assim que abri a janela e vi que o sol lá fora trazia calor com ele...
Soube-me bem sair à rua e levar o casaco na mão por estar muito quente pra vestir casaco..
Eu sei que ainda vai chover, vai fazer frio, mas isto sabe mesmo bem...
A caminho do trabalho dei por mim a cantar a musica do rádio alto, sozinho... No carro ao meu lado uma mulher com cara de enjoada olhava para mim com ar de quem diz: -"Hás-de me dizer porquê essa boa disposição?!"
Minha senhora, porque está sol, porque está calor, porque me apetece praia, sardinhas e caracóis... porque hoje já almocei numa esplanada a apanhar com o sol na cara e me soube tão bem! Mesmo que para isso tivesse de ir almoçar sozinho hoje... soube-me bem na mesma!
Porque estou, e só tenho razões para estar, BEM!
Num dia assim, vemos as coisas com outros olhos sempre... Nem a loira do trabalho me conseguiu tirar do sério hoje!
Porque tenho os amigos certos, porque amo e sou correspondido, porque há jantares, porque há vinho tinto, porque daqui a uns tempos vão haver as tais sardinhas, os desejados caracóis, a praia de sempre, mas com calor e sol a acompanhar...
Enfim minha cara senhora com cara de enjoada do Fiat Punto... Amanhã à mesma hora, sim?
Eu canto... você... QUE SE LIXE!
6.3.06
PROJECTO ESPERANÇA
E porque não custa nada, convido-vos a todos a fazerem o mesmo.
Para tal, basta irem a este site, copiarem o código fonte e já está.
O que é o Projecto Esperança ?
Não se pode exprimir por palavras a dor de um pai e de uma mãe ao perder o que de mais precioso têm na vida, o seu filho. Não existem palavras que traduzam o desespero e o sofrimento de uma criança a quem lhe é roubado o mundo em que vive.
Não queremos nem podemos ser indiferentes a toda esta infelicidade que nos rodeia, se cada um de nós der um pouco do seu tempo, do seu trabalho e da sua força podemos mudar algo. O nosso pouco pode levar muita esperança aos que dela vivem.
Desenvolvemos alguns cartões que poderá colocar facilmente no seu site pessoal, comercial ou blog. Estes cartões têm fotografias e informações de crianças desaparecidas em Portugal.
A internet é um poderoso recurso no combate a este tipo de problemas. Juntos poderemos levar estes rostos a milhares de pessoas.
Não permita que estas crianças caiam no esquecimento. Colabore!
Vá lá gente... Porque há pessoas cujas insónias são bem piores que as nossas!
23.2.06
Nostalgia...
… Acordar tarde nos meus doze/treze anos…
De sair à rua depois de um toque insistente de campainha, acompanhado por uns berros – “Sandro! SAAANDROOOO!”
Sinto falta de pegar na bicicleta e ir para a rua. De passar o resto da manhã de um lado para o outro, a inventar brincadeiras onde a bicicleta era ora um avião, ora uma nave espacial, ou “apenas” uma mota. Nunca, mas nunca, uma mera bicicleta.
Sinto saudades daquela angústia que sentia enquanto procurava saber as horas, para não perder a noção de quando tinha de ir almoçar.
Depois do almoço era aquele não fazer nada até passar o maior calor… sentado no sofá… ok! DEITADO no sofá, a ver mais um episódio do “Verão Azul” (o mítico), até chegar a hora de voltar a descer. O mesmo frenesim de campainhas, de gritos…
Agora é o futebol… a sirumba… a macaca… as corridas de carrinhos pelos passeios, ou as pistas feitas com os devidos obstáculos para as caricas. Lembro-me que construíamos autênticas cidades. Perdíamos horas a construir casas, vivendas, lagos, prédios, a fazer estradas! Tudo com tacos que íamos “pedir emprestado” nas obras perto de casa. O bairro crescia a olhos vistos na altura.
-“É magnífico o que eles fazem”- diziam os pais ao chegar do trabalho!
E era mesmo!
Depois era a hora de subir para tomar banho e jantar.
Podia-se pensar que o dia terminava aí… mas não para nós. Não para os miúdos do 107 e 108.
A seguir ao jantar, desciam todos… ou quase todos. Mas mesmo os que não podiam, por alguma razão (talvez por terem demorado cerca de uma hora a subir depois de chamados para jantar, e serem castigados por isso) – lembram-se dos castigos?
Mas dizia eu, mesmo esses ficavam nas janelas e entravam na brincadeira. Eram os cúmplices de quem se escondia. Sim.. À noite a brincadeira era sempre a mesma – AS ESCONDIDAS! Isto com uns vinte miúdos! Era Incrível!
Os das janelas eram os cúmplices, como já disse. Os comparsas. Iam dizendo a quem se escondia se podiam sair do esconderijo ou não. Iam fazendo sinais… tudo muito bem feito!
Engraçado era ver alguns, de banho recentemente tomado, a enfiarem-se debaixo de carros, dentro das obras, deitados no chão por trás de montes de areia… Éramos assim!
A vida era simples… Nós felizes!
“-Sandro! Sandro vem para casa! São horas de deitar e amanhã há mais.”
E havia mesmo…
Tenho de ir.
A minha mãe chamou. Até amanhã…
10.2.06
SSSSHHHHHhhhhhhhhh
Não, não abras os olhos.
Quero ver-te dormir... sentir por um bocado que sou eu que te protejo num teu momento de maior fragilidade.
Onde estão as tuas defesas enquanto dormes?
Dorme... protejo-te eu...
Fecha os olhos... eu apago a luz porque a noite que entra pela janela é suficiente para te ver.
...
És linda! Já te disse hoje que és linda?
Solto um sorriso espontâneo quando te vejo fazer biquinho com os lábios à medida que vais adormecendo... Sabias que fazes isso?
Eu sei! ...porque hoje te vejo dormir...
Por vezes tens movimentos bruscos, talvez como reacção ao com que sonhas... mas aí eu aproximo-me mais um pouco, agarro-te com mais força...
É tão bom ver-te assim... despida de tudo o que impões como limite que levas ao extremo de ti... É tão bom ver-te.. A TI!
Não sinto medo nenhum neste momento em que a felicidade dura este instante, em que sei que tudo vai ficar sempre bem...
Viras-te ao contrário. Cansada da posição, ou incomodada pela noite que te batia na cara, entrando pela janela...
Aproximo-me de ti, agarro-te e encaixo-me no teu corpo.
E fico ainda acordado, a ver as sombras que se desenham nas paredes e no tecto do quarto... e moldo-as à tua forma.
Hoje és tu... Serás sempre tu!
Um último "olhar-te", antes de fechar os olhos...
Quero despertar antes de ti... quero ver-te acordar...
